Meia estação: cervejas e pratos para o friozinho

No Brasil, quando se fala em cerveja, a maioria pensa naquelas loiras geladas de trincar o copo. Especialmente quando bate o calor infernal do verão. Mas aqui tem clima para todos os gostos, e não só o calor. Também faz frio, céu nublado, chuva, garoa, principalmente quando estamos na meia estação, mais longe do começo do verão do que do fim do inverno, como agora.

Com os climas mais gelados da meia estação, pinta a dúvida de que combinações fazer entre cervejas e pratos. Quando não está fazendo um frio de rachar, que pede sopas quentes e cervejas de alto teor alcoólico, qual é a melhor pedida para harmonizar uma comida gostosa com uma boa cerveja?

Para dar uma sugestão de cardápio adequado à meia estação, montamos, com a ajuda dos chefs do Espaço Carioca de Gastronomia, no Rio de Janeiro, uma combinação de três pratos com cervejas que harmonizam muito bem. Uma sequência de entrada, prato principal e sobremesa que você pode reproduzir em casa. Você também pode adaptar para outros pratos, de acordo com o que gosta.

Para a entrada, nossa escolha foi um goulash com batata palha e cheiro verde. A cerveja da vez foi a Hoffen Darkness, fabricada em Votorantim, interior de São Paulo.

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A Hoffen Darkness é uma cerveja de trigo bock no estilo Weizenbock É mais forte e escura do que as cervejas de trigo normais. Seu teor alcoólico de 6,9% é mais alto, mas sem ser muito elevado. Apresenta delicioso aroma frutado, com notas marcantes de caramelo e especiarias que continuam no paladar. O goulash é um guisado de carne encorpado e bem temperado, que, nesta versão, fizemos com menos gordura. Também acrescentamos um toque da batata palha para não deixar tão pesado e dar crocância ao prato.

A combinação da carne bem condimentada e cozida na panela harmoniza por semelhança dos maltes tostados e com o sabor de especiarias característico das cervejas de trigo, em especial cravo da índia. O caramelo da Weizenbock casa perfeitamente com o caramelizado da carne feita na panela. A gordura do prato é cortada pelo gás e teor alcoólico da cerveja, contribuindo para limpar a boca para mais uma garfada.

Para o prato principal escolhemos um risoto de joelho de porco, que harmonizamos com a holandesa Christoffel Bok.

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A Christoffel Bok é uma cerveja escura não filtrada do estilo Traditional Bock, encorpada e com deliciosas notas de caramelo. Tem 7,8% de teor alcoólico, o que faz dela uma cerveja forte, mas sem perder a elegância e o equilíbrio.

O risoto é um prato fácil de fazer, preparado à base de arroz arbório. Também pode ser preparado com arroz tradicional e bastante manteiga. Pode levar carne, legumes ou outros ingredientes. No nosso caso, usamos joelho de porco em pedaços. Você pode usar outras carnes de porco ou javali.

Na combinação da Christoffel Bok com o risoto, a cerveja corta a gordura característica do prato e ajuda a limpar o paladar. Temos aqui uma combinação de intensidades. A gordura do arroz e do porco fizeram frente ao teor alcoólico elevado. O sabor da carne também equilibrou com a intensidade da cerveja, contribuindo com a harmonização.

Para finalizar, trouxinhas folheadas de creme de maçã com chantilly. A cerveja Dama Bier Dark Lady, de Piracibaba, foi a escolha para a harmonização.

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A Dama Bier Dark Lady, recém premiada no World Beer Awards 2013, é uma cerveja do estilo Stout com pegada americana. Encorpada, de cor escura e suave sabor de café, chocolate e caramelo, vai muito bem com sobremesas.

A combinação das duas, sobremesa e cerveja, foi sensacional. O amargor moderado dos maltes torradas harmonizaram por contraste com o adocicado do prato. Uma harmonização que vale a pena repetir!

Todas estas cervejas e pratos são perfeitos para aquele frio de meia estação, onde as temperaturas caem, mas não despencam demais.

As outras cervejas da Hoffen você pode conhecer aqui.

Quer conhecer as outras cervejas da Christoffel? Veja aqui.

Conheça também as outras cervejas da Dama Bier aqui.

Aproveite!

Você conhece a cerveja do Iron Maiden?

Iron Maiden

A Trooper, cerveja do Iron Maiden, é uma autêntica bebida do estilo inglês Premium Bitter, ou Extra Special Bitter (ESB).

Foi produzida pela consagrada cervejaria britânica Robinsons, em parceria com o vocalista da banda Iron Maiden, Bruce Dickinson, que é fã das tradicionais Ales inglesas.

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A Trooper Ale é uma cerveja refrescante, de 4,7% de teor alcoólico. Com aromas e sabores frutados, caramelados e cítricos, tem uma espuma e acobreada e de qualidade.

Para harmonizar, a Trooper vai muito bem com carne assada, carpaccio, coelho, faisão, kafta de carne e roast beef.

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A cervejaria Robinsons, que tem gestão familiar até hoje, foi fundada em 1838 na cidade de Cheshire. É um dos maiores fabricantes de cerveja do Reino Unido, com mais 380 bares próprios.

Assista ao vídeo onde Bruce Dickinson apresenta a Trooper, a cerveja do Iron Maiden:

Quer conhecer outras cervejas produzidas na Inglaterra? Veja aqui.

Conheça outras cervejas da Cervejaria Robinsons: Old Tom Chocolate e Old Tom Strong Ale.

Cerveja Göttlich com guaraná: mais uma novidade na nossa loja

As cervejas da série Göttlich, Divina! são diferentes de tudo que você já viu por aí. O motivo é que há pó de guaraná na receita. A invenção é do cervejeiro carioca Leonardo Botto para a importadora On Trade.

Para deixar a cerveja com sabor natural de Brasil, o guaraná utilizado na Göttlich é legítimo da Amazônia.

A Göttlich, Divina! também passa por um processo chamado Dry Hopping. Nele, a cerveja é guiada por pressão através de lúpulos aromáticos, deixando o aroma mais intenso e fresco.

Os lúpulos utilizados são nobres e vêm das regiões produtoras mais tradicionais do mundo. De Hallertau e Weihenstephan, na Alemanha, e Saaz, na República Tcheca.

Göttlich, Divina! Pilsen

É uma cerveja artesanal com 5,5% de teor alcoólico. Apresenta cor dourada alaranjada e aroma floral intenso.  O sabor do guaraná também usado na receita. É uma cerveja muito refrescante!

Göttlich

Göttlich, Divina! Weiss

É uma cerveja artesanal de trigo com 5,8% de teor alcoólico. Apresenta cor amarelo clara e líquido turvo característico das cervejas de trigo. O aroma frutado intenso combina banana, cravo e guaraná. Uma cerveja aromática e refrescante para ótimas refeições!

Göttlich

As duas já estão disponíveis na nossa loja, aproveite!

Chegou na nossa loja: Früh Kölsch

Früh Kölsch Garrafa 500ml

Früh Kölsch

As cervejas de tipo Kölsch são uma especialidade da região de Colônia na Alemanha. A Früh Kölsch  é uma das melhores representantes do gênero. Menos amarga que uma pilsen tradicional, é leve, refrescante e possui uma característica cor dourada.

Combina com pratos leves, como frutos do mar e culinária japonesa. Também vai bem com patês e petiscos fritos.

Fabricada pela cervejaria Cölner Hofbräu Früh desde 1904, com 4,8% de álcool, Früh Kölsch é comercializada em garrafas de 500ml e geralmente é consumida em copos cilíndricos ou tulipas.

Ela já está disponível na nossa loja e também faz parte do nosso clube da seleção de outubro/2013 em homenagem a Oktoberfest.

Abaixo um dos seus comerciais mais populares da Kölsch:

Cervejas belgas e gastronomia: da entrada à sobremesa, em grande estilo

Muita gente acha que cerveja não vai bem com comida, mas não sabe o que está perdendo! É claro que esse pensamento vale para cervejas de menor perfil sensorial. Essas, realmente, não servem para acompanhar um belo prato. Mas, se existe um tipo de cerveja que harmoniza perfeitamente com gastronomia, são as cervejas belgas.

Quando a gente faz o casamento perfeito entre uma cerveja de qualidade e uma gastronomia de primeira, alguma coisa acontece quando bebida e comida se encontram na boca. A junção deixa a experiência gastronômica guardada na memória para sempre.

É o caso desta refeição que preparamos para dividir com vocês. Dá para fazer em casa, sem muita complicação. Entrada, prato principal e sobremesa. Tudo harmonizado com cervejas belgas maravilhosas para você se encantar e fazer bonito com amigos e parentes.

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Para começar, escalamos uma Floris Kriek para acompanhar um belíssimo patê de fígado de frango e geleia de frutas vermelhas. A entrada fica ainda melhor quando servida com torradas.

Floris Kriek

A Floris Kriek é uma das cervejas belgas do estilo Fruit Beer. A adição de cereja torna a bebida adocicada e com uma deliciosa acidez refrescante. Com apenas 3,6% de teor alcoólico, é perfeita para abrir refeições, fazendo as vezes de um aperitivo para abrir o apetite enquanto esperamos o prato principal. Harmoniza muito bem com patê de foie gras (fígado) porque sua acidez, gás e álcool, apesar de baixo, cortam a gordura do patê, limpando a boca para mais uma porção. Harmoniza também por semelhança entre o sabor acentuado da cereja, adocicado e ácido, com a geleia de frutas vermelhas. Por fim, O contraste entre o doce da bebida com o salgado do prato cria uma combinação perfeita.

Se gostou dessa sugestão, pode experimentar com outras cervejas adocicadas que levam frutas ácidas na receita.

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St. Feuillien Saison

Já para formar um par perfeito com o prato principal, juntamos a St. Feuillien Saison com esse maravilhoso ceviche de camarão e tilápia, guarnecido por chips de batata doce, que funcionam como uma torrada para colocar o ceviche em cima na hora de comer.

Nascido entre as cervejas belgas, o estilo saison tem grande versatilidade para acompanhar pratos. Na época, a produção da cerveja era sazonal e acontecia antes de começarem os meses mais quentes do verão. Tinha que ser uma cerveja forte para aguentar quatro meses sem refrigeração, porque foi inventado antes da geladeira. Ao mesmo tempo, tinha de ser refrescante para o consumo nos dias de grande calor.

É uma cerveja muito saborosa e refrescante, de aroma frutado, com paladar ligeiramente amargo e ácido. De final seco, é perfeita para harmonizar com o caldo cítrico do ceviche.

A escolha da saison com o ceviche é porque acidez e maresia estão sempre de mãos dadas na gastronomia. Ao pedir um prato de peixe em qualquer restaurante, pé sujo ou 5 estrelas, sempre acompanha um limão para temperar. Aqui, o camarão e a tilápia são harmonizadas por contraste da maresia com a acidez da cerveja.

Outra dica que utilizamos é harmonizar por intensidade. No caso, cerveja e ceviche são de intensidade moderada, sem que nenhum sabor se sobreponha aos outros. Isso acabaria com a harmonia do conjunto. Além disso, a cerveja corta a gordura do azeite.

Conheça também outras cervejas do estilo saison e explore a bebida que o Brasil está começando a descobrir.

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Rochefort 10

Para finalizar, escolhemos outra belga de grande qualidade: a escura e riquíssima trapista Rochefort 10. De grande complexidade e muito intensa, a bebida harmonizou com um mousse de chocolate meio amargo igualmente belga, fechando a refeição com chave de ouro.

A harmonização começa no corte da gordura do chocolate pela combinação do gás, do álcool e do amargor, que deixam a boca limpa para receber mais uma garfada. Temos harmonização por semelhança de sabores e aromas tostados da cerveja e do chocolate.

O contraste de aromas e sabores condimentados de frutas secas escuras, como passas, também casam bem com a intensidade da mousse. Uma harmonização feita com uma das cervejas belgas produzida por monges trapistas que nós devemos comer de joelhos!

Se você gostou dessa harmonização, conheça outras cervejas trapistas na nossa loja e descubra as cervejas que estão entre as melhores do planeta.

Aproveite também para explorar as cervejas belgas que fazem o maior sucesso com quem gosta de cervejas frutadas, intensas, aromáticas e de teor alcoólico mais elevado.

Esta refeição maravilhosa foi uma criação do sommelier de cervejas do The Beer Planet, José Raimundo Padilha, com a chef Ana Salles, especialmente para uma aula de harmonização de cerveja e gastronomia da escola de culinária Estilo Gourmet, no Rio de Janeiro.

Cerveja é melhor pós-treino do que água, dizem cientistas

Cerveja é melhor pós-treino

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Desde 2007, uma pesquisa da Universidade de Granada, na Espanha, vem causando polêmica ao afirmar que cerveja é um bom pós-treino. Segundo a pesquisa, um copo de cerveja é melhor na reidratação do organismo após o exercício do que a água.

A suspeita é de que açúcares, sais minerais e gás da cerveja ajudam a absorverem os fluidos mais rapidamente.

O professor Manuel Garzon, da Faculdade de Medicina de Granada, fez sua descoberta após testes com 25 estudantes. Eles foram convidados a correr em uma esteira sob temperaturas de 40ºC, até estarem próximos da exaustão. Quando estavam prestes a desistir, os pesquisadores mediram seus níveis de hidratação, concentração e habilidades motoras.

Pós-treino, metade do grupo recebeu 1,2 litros de cerveja, enquanto o restante dos alunos recebeu água. Depois, ambos os grupos podiam beber quanta água quisessem. O efeito de hidratação nos alunos que receberam cerveja estava melhor do que entre os que receberam apenas água.

O professor acredita que o dióxido de carbono na cerveja ajuda a matar a sede mais rápido. Enquanto isso, os carboidratos substituem as calorias perdidas.

Com base nos estudos, pesquisadores recomendam o consumo moderado de cerveja como pós-treino. Recomenda-se 500ml por dia para homens e 250ml para mulheres. Para fins de comparação: uma pessoa normal perde cerca de um litro de água para cada hora de exercício de suor.

A pesquisa voltou a gerar polêmica em 2011, durante o Simpósio Europeu de Cerveja e Saúde, em Bruxelas, Bélgica. Em ambas as ocasiões, foi lembrado que a cerveja faz bem dentro de um contexto saudável de vida, com alimentação e prática de esportes.

Além de ser fonte de energia, a cerveja possui proteínas, é rica em vitamina B, sais minerais, antioxidantes e flavonóides.

Ficou com sede? Que tal escolher entre algumas cervejas leves e suaves para o pós-treino? 🙂

História da cerveja: o surgimento da cerveja na Suméria

história da cervejaOlá Beernautas! Hoje viajaremos no tempo para tentar descobrir como iniciou a história da cerveja.

A única certeza que temos é de que sua origem é tão antiga quanto a civilização.  Não sabemos ao certo quando aconteceu o surgimento da cerveja, mas estima-se que o homem já faz a bebida há mais de 10 mil anos. Alguns historiadores, inclusive, afirmam que a cevada foi usada para fazer cerveja antes mesmo de começarem a fazer pão. Outros, acham que o homem começou a plantar quando descobriu como obter álcool por meio da fermentação de cereais.

O documento mais antigo que retrata a cerveja é datado de 6.000 anos atrás, na Suméria. Nele, aparece um grupo de pessoas que bebem cerveja em uma tigela comunitária, usando canudos. Antigamente, a cerveja não era tão refinada quanto hoje e os canudos eram usados para evitar beber os resíduos amargos.

A referência literária mais antiga citando a cerveja também vem da Suméria: um hino à deusa Ninkasi. Esse poema, enquanto elogia a deusa, descreve também uma receita de cerveja.

“É você quem assa o pão de cerveja no grande forno, e colocar em ordem as pilhas de grãos descascados.
É você quem rega a terra coberta de malte, os cães nobres a guardá-la até mesmo dos potentados.
É você quem mergulha o malte em um frasco, as ondas sobem, as ondas caem.”
Traduzido de Um Hino a Ninkasi

A cerveja era considerado um símbolo da civilização. Na Epopéia de Gilgamesh, o personagem Enkidu, um homem selvagem, ao ser apresentado a civilização, é colocado diante do pão e da cerveja. Comer pão e beber cerveja era o que separava os homens civilizados dos bárbaros.

Eles colocaram comida na frente dele,
eles colocaram cerveja na frente dele;
Enkidu não sabia nada sobre pão como comida,
e sobre beber cerveja não havia sido ensinado.
A prostituta falou para Enkidu, dizendo:
“Coma a comida, Enkidu, que é a maneira que se vive.
Beba a cerveja, como é o costume da terra “.
Enkidu comeu a comida até estar saciado,
e bebeu sete jarros de cerveja – então tornou-se comunicativo e cantou com alegria!
Ele estava exultante e seu rosto brilhava.
Traduzido de Epopéia de Gilgamesh

Com a história da cerveja, vemos que a bebida já era um lubrificante social desde a antiguidade. 🙂

O Código de Hamurabi, rei da Babilônia, é um dos mais antigos conjuntos de leis da humanidade. Escrito por volta de 1772 AC, nele constavam 3 leis sobre cerveja. A primeira determinava que, a todos os visitantes de uma residência, deveria ser oferecido cerveja como sinal de hospitalidade. A segunda estabelecia uma ração diária de cerveja dependendo da posição social do indivíduo. Um trabalhador normal  recebia 2 litros, funcionários públicos 3 litros, administradores e altos sacerdotes 5 litros. A terceira determinava que uma pessoa que fabricasse cerveja ruim deveria ser condenada à morte por afogamento em um barril de sua própria bebida.

No capítulo de hoje, contamos a parte da história da cerveja que envolve a Suméria e Babilônia. Apesar de Hamurabi ser meio esquentadinho, nós entendemos a frustração que ele tinha por cerveja de má qualidade. Nós não afogamos ninguém, mas não vendemos cerveja ruim aqui no nosso planeta.

Conheça algumas cervejas com teor de amargor muito alto em nossa loja para entender como eram essas cervejas mais rústicas, e algumas mais fáceis de beber para você mergulhar na história conosco. 🙂