Cervejas Trapistas – você conhece as cervejas fabricadas por monges?

Por Rodolfo Bosqueiro
@umami.sommelieria

Quando você pensa em mosteiros, qual a primeira coisa que lhe vem a cabeça? Monges vestindo suas longas donkas, rezando em silêncio? Se sua resposta foi parecida com essa, você precisa conhecer as cervejas trapistas!

Nem só de orações vivem os monges! Alguns deles são espetaculares cervejeiros, que há séculos produzem o nosso líquido sagrado (literalmente) com total maestria dentro das paredes dos monastérios.

Para entender as cervejas trapistas, é necessário falar sobre as cervejas de abadia, que se referem a um conjunto de estilos de cerveja que se tornaram famosos através dos monges belgas, mas que atualmente, na maioria dos casos, não são mais produzidos dentro das paredes de um mosteiro.

Estes estilos englobam as “Single”, Dubbel, Tripel, Belgian Pale Ale, Belgian Blond Ale, Belgian Strong Pale Ale e Belgian Dark Strong Ale, que já eram produzidas nas abadias como forma de alimento para os monges e para os seus visitantes, por isso são bastante maltadas e densas.

Mas para uma cerveja receber a denominação de “Trapista”, de fato, não basta ter as características de uma cerveja de abadia, tampouco basta ser produzida em um mosteiro. Ela deve seguir critérios bem rigorosos:

– Ser fabricada dentro das paredes de um mosteiro trapista pelos próprios monges, ou sob sua supervisão (o envase não é necessariamente feito internamente);

– Ter importância secundária dentro do mosteiro e seguir as práticas de negócio da vida monástica;

– A cervejaria não deve ser uma empresa lucrativa – a receita se destina a cobrir as despesas de vida dos monges, assim como a manutenção do mosteiro e o que sobrar deve ser doado às instituições de caridade, trabalho social e auxílio a pessoas com necessidade.

É errado dizer que determinada cerveja é do “estilo Trapista”. Cerveja Trapista é um termo que determina a origem do produto e que ele foi produzido de acordo com os critérios estabelecidos acima.

Mas é certo dizer que todas elas são maravilhosas, complexas e excelentes com comida.

MAS O QUE É ORDEM TRAPISTA?

Oficialmente conhecida como “Ordem dos Cistercienses Reformados da Estrita Observância”, é uma Congregação religiosa católica derivada da Ordem de Cister. Os monges dessa Congregação são adeptos ao voto de silêncio, podendo apenas quebrá-lo para discutir sobre as atividades da cervejaria. Além dos votos comuns às Ordens Católicas (pobreza, castidade e obediência), os monges trapistas fazem também o voto de estabilidade, no qual ele deve viver em um mesmo mosteiro até a sua morte.

Atualmente existem 11 cervejarias que podem estampar o selo de “Produto Trapista Autêntico” em suas cervejas, sendo apenas uma delas fora da Europa:

  • Bélgica: Achel, Chimay, Orval, Rochefort, Westmalle e Westvleteren.
  • Holanda: La Trappe e Zundert.
  • Áustria: Stift Engelszell.
  • Itália: Tre Fontane.
  • Estados Unidos: Spencer.

As cervejas trapistas são constantemente monitoradas para garantir a sua extraordinária qualidade. Não é à toa que acerveja considerada por muitos como a melhor do mundo é uma trapista – a Westvleteren ABT 12, produzida pela Abadia de Saint Sixtus e oficialmente vendida apenas pelo próprio mosteiro ou pelo café situado em frente a ele.

Cervejas trapistas são cultuadas por cervejeiros do mundo todo e no Brasil temos a sorte de poder encontrar excelentes exemplares. Todas elas de qualidade inquestionável. Veja alguns destaques:

La Trappe 

cervejas trapistas

Destaque: La Trappe Quadruppel 

A La Trappe foi a primeira cervejaria trapista a produzir o estilo Quadruppel, uma cerveja complexa, alcoólica, com aromas de frutas passas (banana, uva, ameixa) e maltes tostados. Uma obra prima!


Chimay 

Destaque: Chimay Red 

Uma Dubbel com aroma de frutas secas, castanhas e especiarias, amargor leve em total equilíbrio com os maltes tostados.


Orval 

cervejas trapistas

Destaque: Orval 

É o único rótulo dessa icônica cervejaria. Uma cerveja única, aromática e complexa, refermentada na garrafa com leveduras selvagens (Brettanomyces), que desenvolvem seu perfil ao longo do tempo. Sensacional!


Trappistes Rochefort 

cervejas trapistas

Destaque: Trappistes Rochefort 8

Uma legítima Belgian Dark Strong Ale de cor marrom escura, aroma de madeira, nozes, café e chocolate. Complexa e marcante, é uma cerveja digna de agradecer aos céus!


Westmalle 

Westmalle Tripel 

A primeira cerveja denominada Tripel defende seu reinado como uma das melhores do mundo no estilo. Cítrica, condimentada e com notas de frutas brancas e amarelas, possui intenso caráter de lúpulo, fresco e herbal, contribuindo para sua complexidade. Espetacular!

Achel 

Destaque: Achel Blonde 

Uma Belgian Blond Ale de cor dourada, aromas florais e cítricos, com sabor frutado marcante, de final persistente. Uma cerveja sensacional para qualquer ocasião!


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Mulheres e cerveja, uma dupla com milênios de história

Por Rodolfo Bosqueiro
@umami.sommelieria

Mulheres e cerveja

A cena cervejeira hoje está muito ligada aos homens barbudos, que vemos aos montes dentro das cervejarias e em festivais de cerveja. Mas nem sempre a história foi assim. Se não fosse pelas mulheres, talvez nosso líquido sagrado não seria o que é hoje.

A cerveja está sendo produzida por pelo menos 10 mil anos, e historicamente, na maioria das vezes, este campo foi dominado pelas mulheres. Na antiga Suméria, tudo que girava em torno do lar, como a limpeza e a preparação de alimentos e bebidas era papel da mulher.

Os homens estavam caçando e recolhendo madeira, enquanto a cerveja era feita por elas, em casa, e toda a família bebia – incluindo as crianças.

Além do alimento

Além de servirem como fonte de alimento, as cervejas fabricadas pelas mulheres da Suméria eram usadas para cerimônias religiosas. E essas cervejeiras desfrutavam de grande respeito, em parte também por serem vistas como sacerdotisas da reverenciada deusa da cerveja, Ninkasi.

Essa reverência pôde ser notada no Hymn to Ninkasi (Hino à Ninkasi), uma espécie de receita de cerveja em forma de música, escrita em uma tábua cuneiforme, por volta de 1800 a.C., que é a mais antiga receita da bebida escrita da história.

Como os seus predecessores, os babilônios mantiveram uma alta estima pelas mulheres, e alguns historiadores dizem que elas podem ter participado de um dos mais antigos negócios do mundo ao vender suas cervejas.

Um pouco mais de história 

Primeiro conjunto de leis escrito que se tem conhecimento – indicava que as mulheres eram donas das tavernas e vendiam as cervejas produzidas por elas mesmas.

mulheres e cerveja
Código de Hamurabi: conjunto de leis escritas por volta de 1772 a.C.

Os hieróglifos dessa época descrevem as mulheres fazendo cerveja e bebendo-as através de uma espécie de canudo. Essas cervejeiras desenvolveram esses objetos para atravessar a camada de “espuma” formada na fermentação que flutuava no topo da cerveja nas tinas de barro.

Em um primeiro momento, a fabricação de cervejas também era papel das mulheres nas casas egípcias. Mas os registros sugerem que, com o aumento das “fábricas de cerveja” no Egito, os homens as substituíram e essas foram deslocadas para papéis secundários.

Mais à frente na linha do tempo, uma lenda finlandesa conta que uma mulher chamada Kalevatar trouxe cerveja para a terra misturando mel com saliva de urso. E que os verdadeiros Vikings permitiam que apenas as mulheres produzissem a cerveja que alimentava suas conquistas.

Os primeiros europeus do norte adoravam suas deusas de cerveja como o antigo Oriente Médio o fez, e antes do segundo milênio d.C., a maioria das mulheres europeias bebiam cerveja.

Das mulheres germânicas que fabricavam cervejarias nas florestas para evitar os invasores romanos até as “alewives” inglesas que mantiveram suas tradições até a Revolução Industrial, as mulheres europeias alimentavam seus maridos e crianças com cervejas de baixo teor alcoólico e ricas em nutrientes, que eram mais potáveis do que a água.

Algumas cervejeiras empreendedoras produziam mais do que suas famílias precisavam e vendiam o excedente por uma miséria. Mas as mulheres casadas não possuíam status legal, e as mulheres solteiras possuíam pouco capital.

Essas dificuldades as deixou financeiramente e politicamente vulneráveis ​​e incapazes de acessar os desenvolvimentos econômicos e os avanços tecnológicos que gradualmente transformaram a Europa de uma sociedade agrária para uma comercial.

Os conventos alemães proporcionavam um abrigo raro para as mulheres solteiras florescerem como cervejeiras e botanistas. Neste contexto, St. Hildegard de Bingen se destacou e se tornou a primeira pessoa a recomendar publicamente o lúpulo como agente de cura, amargor e preservação; cerca de 500 anos antes da sociedade convencional ter tomado ciência.

Fora dos muros monásticos, os direitos das cervejeiras ficavam à mercê dos senhores feudais, da Igreja ou da classe mercante emergente – o qual, ou os quais, estivessem no domínio no local e no momento.

Durante a Peste Negra, com a morte de milhões de pessoas, houve uma falta de mão-de-obra e trabalhadores saudáveis ​​estavam em tal demanda que poderiam nomear seu preço. Com mais dinheiro, uma porcentagem significativa foi gasta em cerveja e mais tavernas se abriram.

Durante a Guerra dos Cem Anos entre Inglaterra e França (1337 a 1453), os soldados recebiam diariamente oito pints de cerveja. Essa demanda significava que um fornecimento seguro e confiável era necessário. As cervejeiras de casa não conseguiam fornecer cerveja suficiente. Era hora de produzir cerveja em larga escala (fábricas).

As mulheres não costumavam trabalhar fora da casa, e não lhes era permitido possuir sua própria propriedade. Elas também não podiam aceitar empréstimos bancários. Tudo isso significava que as mulheres não podiam possuir cervejarias.

As leis e a cerveja

As leis de pureza, como a Reinheitsgebot, regularizaram a fabricação de cervejas na Europa, mas também colocaram recursos de alto custo, como o lúpulo, fora do alcance das cervejeiras.

Os homens construíram cervejarias de larga produção e formaram redes de comércio internacional. Assim, a Lei e o Comércio manteve as mulheres fora de ambos.

À medida que a Idade das Trevas abriu caminho ao Renascimento e à Era da Exploração, as cervejeiras não estavam apenas perdendo sua relevância. Nessa época, em que até 200 mil mulheres foram processadas como bruxas, elas estavam perdendo a dignidade e também a vida.

Embora não se possa provar uma conexão, alguns historiadores veem semelhanças claras entre as cervejeiras da época e as ilustrações selecionadas para as propagandas anti-bruxas. Imagens de caldeiras espumando, vassouras (que eram penduradas fora da porta para indicar a disponibilidade de cerveja), gatos (para perseguir e afastar ratos das produções) e chapéus pontudos (para serem vistos acima da multidão no mercado) permanecem até hoje.

Devido a todos esses empecilhos, por volta de 1700, as mulheres europeias já tinham quase que interrompido totalmente a fabricação de suas cervejas.

Já nos séculos XIX e XX, a figura da mulher associada à cerveja foi se direcionando para um caminho totalmente diferente do início dos tempos, quando elas eram sinônimo de expertise no assunto.

UNITED STATES – JANUARY 01: End Of Prohibition : Woman On Beer Barrels In 1933 (Photo by Keystone-France/Gamma-Keystone via Getty Images)

E hoje em dia?

Algumas pressões sociais vem ajudando a mudar esse quadro positivamente nos últimos anos, principalmente com a diminuição da objetificação da imagem feminina em propagandas de cervejas. Além disso, cada vez mais, as mulheres atuais se interessam pelo mundo que lhes foi tomado, e mostram para os barbudos que as cervejarias e o mercado de cervejas também é espaço delas.

A diferença entre homens e mulheres atuando no segmento ainda é grande. Mas já temos exemplos de muitas mulheres que se destacam neste mercado e fazem um trabalho excepcional.

O que é a Lei da Pureza? O The Beer Planet responde!

A escola cervejeira alemã é uma das mais cultuadas no mundo, sendo na maioria das vezes a primeira que conhecemos. Para os alemães a cerveja sempre foi levada muito a sério, sendo considerada um produto alimentício, e não uma bebida alcoólica com intuito recreativo. Por isso, provavelmente você já ouviu falar na Lei da Pureza Alemã de 1516, também conhecida como Reinheitsgebot. Uns a defendem, outros nem tanto, mas o fato é que este assunto é comum entre os cervejeiros. Você sabe exatamente o que é e o motivo dela ter sido decretada? O The Beer Planet vai te contar tudo o que você precisa saber para ficar por dentro do assunto!

A lei foi promulgada por Guilherme IV, duque da Baviera, no dia 23 de abril de 1516, determinando que as cervejas só poderiam ser produzidas a partir de água, malte de cevada e lúpulo. Naquela época ainda não se conhecia o processo de fermentação, e por isso a levedura não consta na lei original. Mais tarde, com o estudo da microbiologia iniciado por Louis Pasteur no fim do século XIX, o levedo passou a fazer parte da Lei da Pureza. O decreto também regulava questões mercadológicas, como o preço praticado na venda da cerveja. Quem desrespeitasse o negligenciasse as determinações da província seria punido pelas autoridades, tendo seus barris confiscados.

Agora, antes de saber o porquê de existir uma lei restringindo a produção de cerveja, é importante entender o que exatamente é a bebida. Pode ser considerada cerveja qualquer bebida fermentada a partir de cereais, que são fontes de carboidrato, podendo ter adição de outros açúcares como frutas e mel, por exemplo. Para equilibrar o dulçor e conferir sabores diferenciados, eram utilizados diversos ingredientes como cascas de árvore, tubérculos, legumes, cogumelos, bile de boi e condimentos como o “Gruit”, uma mistura de temperos e ervas. Como a cerveja podia ser produzida com diferentes matérias primas, era comum que os cervejeiros de cada região utilizassem insumos locais, e por vezes esse “Gruit” podia conter ervas tóxicas e alucinógenas em sua mistura, oferecendo diversos riscos à saúde.

Por isso, foi criado um primeiro decreto chamado Justitia Civitantis Augustecis em 1156 pelo imperador Barbarossa, em Augsburg, que regulava a qualidade final da cerveja, mas não o processo de produção. Qualquer taverneiro que servisse cerveja de má qualidade estava sujeito a pagar multa e ter seu estoque confiscado. Posteriormente, em 1447 foi feito o primeiro esboço da Lei da Pureza na cidade de Munique, que substituía o uso do mix de ervas pelo lúpulo, oferecendo segurança na produção e agindo como conservante natural, além de possuir ação calmante e amargor desejável na cerveja. Foi restringido também ao uso de malte de cevada, pois outros cereais usados como trigo, aveia e centeio estavam encarecendo o preço do pão, devido à sua escassez.

Até que em 1516 foi promulgada a Reinheitsgebot, que foi adotada em toda a Alemanha com a unificação do estado, em 1906. Esta foi a primeira lei do mundo que regula a produção de um alimento, encontrando-se em vigor até hoje com o intuito de prezar pela qualidade, porém agora se estendendo ao uso de malte de trigo. Apesar dessa lei limitar a variedade do produto, é possível criar centenas de variações de estilo apenas combinando diferentes tipos de malte, lúpulo e levedura, resultando em cervejas com diferenças na coloração, turbidez, textura, carbonatação, aroma, paladar e sabor. Mesmo sem adição de outros ingredientes, é possível obter notas de chocolate e café com o uso de maltes torrados, ou de caramelo com malte tostado, de banana e cravo a partir da levedura, de frutas cítricas provenientes do lúpulo… A variedade é bem extensa. Clicando aqui você encontra as melhores cervejas alemãs do mundo.

Lei da pureza
Bierland lançou uma cerveja comemorativa chamada 1516.

Em 2016 a lei completou 500 anos, e a cervejaria catarinense Bierland lançou uma cerveja comemorativa chamada 1516. No Brasil, a legislação permite a substituição de até 45% do malte de cevada por qualquer outro carboidrato, já que outras fontes de amido como milho e arroz podem tornar as cervejas mais leves e com menor custo, o que é desejável nas cervejas populares. Mas as cervejas artesanais nacionais também são puro malte, com qualidade para alemão algum botar defeito! Porém muitas não seguem a Lei da Pureza, já que nós brasileiros produzimos cervejas que seguem todas as escolas cervejeiras, sendo comum a adição de frutas como na Sour e Fruit Beer, casca de laranja e semente de coentro na Witbier, aveia e cacau numa Stout ou centeio numa Rye IPA, por exemplo. Somos adeptos à diversidade de estilos, sabores, aromas e insumos.

Desde as que seguem a Reinheitsgebot até as mais ousadas, no The Beer Planet todas as cervejas são puro malte. Escolha as que você mais gosta, adquira pelo site e receba em sua casa!

Conheça as 3 datas cervejeiras de agosto para você comemorar!

Você sabia que Agosto é um dos meses mais cervejeiros do ano? Para você se preparar para essas três datas cervejeiras, e o The Beer Planet vai te dar as dicas de como aproveitar cada uma. Abra uma cerveja e vem com a gente!

  • International IPA Day: 3 de agosto

cervejeiras de agosto
International IPA Day: 3 de agosto

O estilo India Pale Ale, tão adorado pelos lupulomaníacos, tem um dia só dele. A já conhecida versão brasileira desse evento acontece em novembro, em Ribeirão Preto/SP. Mas a data oficial é comemorada internacionalmente na primeira quinta-feira de agosto, caindo neste ano no dia 3.

O International IPA Day foi criado em 2011 nos Estados Unidos, já que os americanos são aficionados por lúpulo, o ingrediente da cerveja responsável pelo amargor, que aparece em destaque nas IPAs. Este estilo nasceu na Escola Inglesa, mas foram os americanos que revolucionaram a India Pale Ale, aumentando a carga de amargor e utilizando variedades locais de lúpulos aromáticos, conferindo as deliciosas notas frutadas e cítricas.

A festa mais amarga do mundo é comemorada em todo o Brasil em diversos bares e cervejarias, mas você também pode participar da sua casa, garantindo suas garrafas e latas da nossa seleção de IPAs. Toda variedade do estilo preferido dos Hopheads está valendo:
American, English, Belgian, Session, Imperial, Brett, Black, White, West Coast e New England IPA.

  • Dia da Cerveja Belga: 4 de agosto

cervejeiras de agosto
Dia da Cerveja Belga: 4 de agosto

Já se você prefere cervejas onde o malte e a levedura se destacam, saiba que também existe um dia para celebrar as cervejas belgas. O Dia da Cerveja Belga em 2017 cai no dia 4 de agosto, pois é comemorado na primeira sexta-feira desse mês.

Neste ano temos um motivo especial para festejar a data: a cerveja belga entrou para a seleta lista de Patrimônios Imateriais da Humanidade da Unesco! Essa conquista era de se esperar, já que a Escola Belga possui mais de 1.500 variedades de cervejas, com tradição centenária e muita criatividade.

Não é tão comum encontrar eventos nesta data quanto no IPA Day, mas nas confrarias online, os cervejeiros brindam com seus lindos cálices. Vai ficar de fora? Confira nossa seleção de cervejas belgas e escolha a sua! Já que estamos no inverno, recomendamos as mais alcoólicas, como as Belgian Strong Ales.

  • Dia Internacional da Cerveja: 4 de agosto

cervejeiras de agosto
Dia Internacional da Cerveja: 4 de agosto

E para fechar as datas cervejeiras, não se esqueça da primeira sexta de agosto, quando é celebrado o Dia Internacional da Cerveja. Então além das belgas, você pode brindar com sua cerveja favorita. Pode ser Weizen, Stout, Sour, Fruit Beer, APA, Pilsen, Bock, Helles… Seja qual for seu estilo preferido, você encontra na loja The Beer Planet.

Assim como o International IPA Day, o Dia Internacional da Cerveja foi criado nos Estados Unidos, em 2007 na Califórnia. Neste ano a data completa 10 anos, o que é mais um motivo para não passar em branco.

Os três propósitos declarados são: estar com amigos para saborear a cerveja; celebrar aqueles que fabricam e os que servem a cerveja; e ter o sentido de união mundial com outros comemoradores, com cervejas de todas as nações e culturas. Então, convide seus amigos para degustar rótulos nacionais e importados com você!


Para brindar essas datas cervejeiras com a gente, marque o @thebeerplanet nas redes sociais e use hashtags de confrarias online, como #comandocervejeiro, #bpcervejeiro, #horadogole e #confraria27, além das próprias marcações dos eventos, como #ipaday.

Moa Brewing, a cerveja que nasceu do vinho

Moa Brewing

A neozelandesa artesanal Moa Brewing foi fundada em 2003 por Josh Scott, filho do renomado enólogo de Marlborough Allan Scott, com foco na fabricação de cervejas artesanais super premium. A cervejaria Moa está localizada entre os vinhedos da região vinícola mundialmente famosa de Marlborough, Nova Zelândia. O que não é surpreendente, já que Josh também é produtor e segundo ele “é preciso um monte de cerveja para fazer um bom vinho”. O nome Moa deriva de uma extinta ave gigante que não voa que era original da Nova Zelândia. Josh chegou a fazer entrega de cerveja aos primeiros arqueólogos que trabalham numa escavação de ossos de Moa perto da cervejaria. Ao contrário do Moa, os arqueólogos sobreviveram.

 

Moa Brewing

 

Vencedora de vários prêmios de cervejas e cidras, a cervejaria Moa fabrica orgulhosamente utilizando técnicas tradicionais, com foco em ingredientes locais, em especial os famosos lúpulos da Nova Zelândia. Pioneiras em uma época em que não havia tanta inovação, as cervejas Moa são arredondadas na sua maioria através do uso de técnicas de vinificação, como a re-fermentação na garrafa, onde uma pequena quantidade de levedura e açúcar são adicionados para acrescentar de forma natural uma carbonatação extra à cerveja, aumentando significativamente sua vida útil e longevidade, criando sabores complexos e que mudam ao longo do tempo. Como um bom vinho. Isso confere à cerveja uma sensação na boca de maior vivacidade e elegância.

Conheça a loja online da Moa, aqui. Entrega em todo o Brasil

A estrela de seis pontas do mestre cervejeiro

Representação do equilíbrio

Apesar da estrela de seis pontas da cerveja ser idêntica a Estrela de Davi judaica as origens são diferentes. Séculos atrás a produção da cerveja era relacionada à alquimia e a estrela de seis pontas representava o equilíbrio perfeito dos elementos principais que o cervejeiro manipulava: a água, representada pelo triângulo que aponta para baixo, e o fogo, representado pelo triângulo que aponta para cima.

A fabricação de cerveja e consequentemente os cervejeiros passaram então a ser identificados pela estrela de seis pontas, que se tornou um símbolo de cerveja e cervejaria. As tavernas que serviam cerveja também eram identificadas com a estrela do cervejeiro.

estrela seis pontas

Faz pouco tempo as cervejarias ainda identificavam cerveja com a estrela de 6 pontas e algumas cervejarias ainda trazem este símbolo da cerveja em suas marcas ou rótulos.

estrela seis pontas

Mesmo tendo origens diferentes da estrela judaica, a estrela de seis pontas do mestre cervejeiro, a Brewers Star, também traz significado semelhante, o equilíbrio de forças opostas e complementares, como Yin-Yang, feminino e masculino.

estrela seis pontas

Por último, há quem diga que os dois triângulos representam os “elementos” utilizados na fabricação (água, fogo, ar) e os “ingredientes” da receita (água, malte, lúpulo).

Beba uma cerveja para comemorar. Escolha clicando aqui.

Fonte: brewingmuseum.org

Conheça a origem do estilo India Pale Ale

 India Pale Ale India Pale Ale

Todos os anos os cervejeiros do mundo inteiro comemoram o IPA Day na primeira quinta-feira do mês de agosto, um dia dedicado ao estilo mais venerado por aqueles que apreciam cervejas especiais. Mas as IPA não são apenas deliciosas, elas também possuem muita história para contar.

IPA é a sigla de India Pale Ale, uma cerveja de alta fermentação super lupulada que tem sua origem na época em que a Índia era uma das principais colônias da Inglaterra. No final dos anos 1.700, a presença inglesa na Índia era grande devido sua importância estratégica como principal mercado produtor das especiarias consumidas na Europa. Os soldados e marinheiros civis estavam sedentos por cervejas da terra natal, especialmente porque a água potável era escassa para todos.

Naquela época os estilos mais populares eram Pale Ale e Porter, sendo que este último não combinava muito com o clima quente da Índia. Já as Pale Ale sofriam com o calor do interior do navio e a constante agitação do mar, chegando estragadas ao seu destino, provocando a decepção dos ingleses que percebiam a alteração no sabor da bebida em comparação com a lembrança que tinham das suas Ales.

A primeiro cervejeiro que chegou com uma solução para este problema foi George Hodgson da Bow Brewery, que percebeu que níveis elevados de álcool e de lúpulo iriam retardar a deterioração da cerveja. Ele partiu do estilo mais leve e acrescentou cargas extras de lúpulo e de malte, criando assim um processo que garantia às suas Pale Ale chegarem à Índia sem estragar.

No começo houve um certo estranhamento ao sabor mais amargo, mas que logo foi superado e a cerveja caiu no gosto dos oficiais, soldados e marinheiros que fizeram a fama do estilo IPA. George Hodgson ficou por 50 anos produzindo e comercializando suas cervejas quase como um monopólio!

India Pale AleA primeira vez que se tem notícia de que o termo India Pale Ale foi utilizado data de 1829 em um anúncio de jornal, como este de 1830, que define a EIPA (East India Pale Ale) como “a melhor bebida do verão”.

Conheça mais cervejas do estilo IPA, clicando aqui.

La Trappe, a única cerveja feita por monges da Holanda

La Trappe

Se você é cristão ou não, beber cerveja que um monge fez é especial, tão especial que muitas cervejarias fazem cervejas estilo abadia. Existem menos de dez cervejarias de monges Trapistas da Ordem Cisterciense certificadas para produzir e vender cervejas com o selo Trapista. Mais 10 mosteiros são liberados para vender outros produtos Trapistas, como aguardentes, queijos, compotas, bolachas e sabonetes que mantêm seus mosteiros auto-suficientes, de acordo com a Ordem de São Bento. Seis cervejarias Trapistas estão localizadas na Bélgica: Achel, Orval, Westmalle, Rochefort, Westvleteren e a mais famosa, Chimay. Enquanto a cervejaria La Trappe é a única onde monges fezem a cerveja na Holanda. A ordem Trapista aprovou recentemente a cervejaria Engelszell na Áustria a produzir cerveja a fim de pagar a reforma do seu mosteiro.

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Ela está entre nós: Chimay Dorée, a cerveja exclusiva dos monges trapistas pela primeira vez no Brasil

Chimay Dorée

Fabricada na cervejaria trapista construída em 1862 no coração da Abadia de Scourmont, na Bélgica, a especialíssima Chimay Dorée era desde antes da construção da cervejaria, a receita de cerveja produzida apenas para o consumo reservado à comunidade monástica.

Com o passar dos anos, os hóspedes que vinham visitar a abadia, conquistaram o privilégio e a honra de poderem degustar essa cerveja que somente os monges podiam beber.

Uma cerveja clara, de aromas refrescantes de lúpulo e especiarias, muito fácil de beber, que acompanha os monges há séculos, que antes era semente compartilhada com seus hóspedes e funcionários, agora está no Brasil pela primeira vez, como sinal de agradecimento à predileção do brasileiro pela marca Chimay.

Seu teor alcoólico não é elevado, mas é uma cerveja ligitimamente trapista de alta fermentação, com notas de lúpulo e aromas de especiarias que encanta todos que experimentam.

Como foi descoberta pelos hóspedes, um público crescente a queria encontrar fora da abadia. A soluçando foi oferecer a Chimay Dorée em edição limitada para um público selecionado. É por isso que o Brasil e o The Beer Planet Club estão recebendo esta preciosidade. Boa degustação!

Conheça outras cervejas trapistas, clicando aqui.

 

Ninkasi, a deusa suméria da cerveja

nagaia1-2O povo sumério é bebedor de cerveja de longa data. Aliás, foram os sumérios que descobriram a cerveja. Sim, porque a cerveja não foi inventada, mas descoberta. E é também uma suméria que é consagrada a deusa da bebida: Ninkasi.

Segundo os cientistas que estudam o nascimento das bebidas fermentadas, os caçadores-coletores-nômades perceberam há cerca de 10 mil anos que os cereais selvagens eram grande fonte de alimento. Para guardar os grãos, eles os cozinhavam e armazenavam.

Um texto revela que quando um pode de grãos cozidos era esquecido e posteriormente consumido, produziam um sentimento de alegria. Era um estágio inicial de intoxicação. Esta foi a primeira cerveja! A partir desta descoberta, os grãos cozidos eram colocados em potes com água e outras substâncias, como mel e frutas, para dar aroma e sabor.

Anos mais tarde, o povo da babilônia inventou a cerveja como a conhecemos hoje, usando o canudo para extrair o suco alcoólico de dentro do pote.

Um texto que data de 1.800 AC é o Hino à Ninkasi. Escrito por um poeta sumério e encontrado em uma tabuleta de cerâmica, descreve uma das receitas mais antigas de produção de cerveja.

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Ninkasi é a deusa suméria da fabricação de cerveja e da própria cerveja. Considerada a cervejeira dos deuses. Seu nome significa “a senhora que enche a boca”.

Os primeiros cervejeiros eram mulheres. A produção de cerveja era uma tarefa doméstica e de responsabilidade delas, como cuidar da casa e dos filhos.

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Louvor à Ninkasi

Nascida da água corrente

Delicadamente cuidada por Ninhursag

Nascida da água corrente

Delicadamente cuidada por Ninhursag

 

Tendo fundado sua cidade pelo lago sagrado

Ela rematou-a com grandes muralhas por você

Ninkasi, fundando sua cidade pelo lago sagrado

Ela rematou-a com grandes muralhas por você

 

Seu pai é Enki, Senhor Nidimmud

Sua mãe é Ninti, a rainha do lago sagrado

Ninkasi, seu pai é Enki, Senhor Nidimmud

Sua mãe é Ninti, a rainha do lago sagrado

 

Você é a única que maneja a massa com uma grande pá

Misturando em um poço o bappir com ervas aromáticas doces

Ninkasi, você é a única que maneja a massa com uma grande pá

Misturando em um poço o bappir com tâmaras ou mel

 

Você é a única que assa o bappir no grande forno

Coloca em ordem as pilhas de sementes descascadas

Ninkasi, Você é a única que assa o bappir no grande forno

Coloca em ordem as pilhas de sementes descascadas

 

Você é a única que rega o malte jogado pelo chão

Os cães fidalgos mantém distância, até mesmo os soberanos

Ninkasi, você é a única que rega o malte jogado pelo chão

Os cães fidalgos mantém distância, até mesmo os soberanos

 

Você é a única que embebe o malte em uma ânfora

As ondas surgem, as ondas caem

Ninkasi, você é a única que embebe o malte em uma ânfora

As ondas surgem, as ondas caem

 

Você é a única que estica a pasta assada em largas esteiras de palha

A frieza supera

Ninkasi, Você é a única que estica a pasta assada em largas esteiras de palha

A frieza supera

 

Você é a única que segura com ambas as mãos o magnífico e doce sumo

Fermentando-o com mel e vinho

(Você, o doce sumo para o eleito)

Ninkasi, (…)

(Você, o doce sumo para o eleito)

 

O barril filtrador, que faz um som agradável

Você ocupa apropriadamente o topo de um grande barril coletor

Ninkasi, o barril filtrador, que faz um som agradável

Você ocupa apropriadamente o topo de um grande barril coletor

 

Quando você despeja a cerveja filtrada do barril coletor

É como os barulhos dos cursos do Tigres e do Euphrates

Ninkasi, você é a única que despeja a cerveja filtrada do barril coletor

é como os barulhos dos cursos do Tigres e do Euphrates

Com esse texto, podemos observar que mesmo depois de milhares de anos, as técnicas de produção evoluíram. Novas tecnologias foram inventadas, mas conceitualmente pouca coisa mudou na fabricação de cerveja.

Ergam suas taças e façamos um brinde à deusa Ninkasi!